UFA! Passou!

sexta-feira, junho 16, 2017

Quando eu estava prestes a me mudar pra Holanda decidi começar um blog e a intenção era mantê-lo atualizado, afinal eu teria muito tempo livre e muitas novidades não é mesmo? 

Quatro meses depois da minha chegada consegui um emprego em uma escolinha. Achei que tive muita sorte por conseguir algo na minha área logo de cara. Eu nunca tinha trabalhado com crianças tão pequenas e apesar do trabalho ser super pesado eu estava curtindo bastante. Quem não se apaixona por um bando de pitoquinhos remelentos?

O que eu não sabia era que a quantidade de crianças que eu tinha na minha turma (sempre mais de 10) era superior ao permitido (8) e que não era a toa que eu sempre voltava pra casa quebrada e com a sensação de que eu não estava dando conta do trabalho. Eu achava que estava mal acostumada com a vida de professora no Brasil, mas estava sendo usada!

Decidi conversar com o idiota do meu chefe, mas nada mudou. Então um belo dia eu dei um chega pra lá e abandonei minha turma no meio da rotina matinal e deixei os pitoquinhos remelentos com o dono da creche. Afinal, se quatro crianças (de dois a quatro anos) a mais, totalizando doze não fazia diferença pra ele, ele que ficasse com elas então. Os donos dessa creche até me ameaçaram caso eu contasse o lance do número das crianças para alguém. Eu sei que eu não precisava me preocupar, mas não queria encrenca e fiquei na minha. Essa novela custou minha sanidade.

Foi a fase mais difícil da minha vida: Desempregada, triste, apavorada e longe da família. Várias vezes abandonei minhas compras no supermercado e corri pra casa porque eu simplesmente não conseguia executar qualquer tarefa sozinha. Eu achava que iria desmaiar. Meu coração disparava sem motivo, sentia náusea, parecia estar flutuando pelas ruas e eu tinha certeza que iria morrer. Contei como me sentia pra uma amiga e ela me alertou sobre a síndrome do pânico. Minha motivação de escreve aqui foi embora com a minha vontade de sair da cama. Pouco li outros blogs também. Parece drama, mas é terror. Sério!

Procurei ajuda profissional e na minha primeira tentativa o médico me pediu para pensar positivo que nada de mau iria acontecer. Afinal a ideia de desmaiar no meio da rua nem era tão ruim assim segundo ele. Quando sai do consultório aos prantos, vi que eu tinha três opções:

- Comprar um capacete para proteger minha cabeça caso eu desmaiasse numa ida ao supermercado.
- Me trancar em casa e nunca mais sair sozinha.
- Encarar essas sensações, entender como aquilo me dominava e ter minha vida de volta.

E foi a terceira opção que eu fescolhi. Gente, não foi fácil. O Rudy coitado não sabia o que fazer para me ajudar. Conheci pessoas na mesma situação, li muito, conversei muito com amigos e pra ser sincera, eu nem sei como eu sai desse buraco.

Eu poderia simplesmente dizer que estava super ocupada nos últimos meses, mas acho importante dividir aqui os baixos da vida. Morar fora nem sempre é só felicidade e a síndrome do pânico afeta muito mais gente do que imaginamos e expatriados estão ali no topo da lista!

Não estou me expondo dessa forma para ter atenção, quero mesmo é falar desse fantasma e aliviar alguém que possa estar nessa situação. Tem jeito, se eu consegui você também consegue! Vai passar se você aprender a dominar seus pensamentos.

Faz um tempinho que estou me sentindo leve, feliz, motivada com a vida e melhor: sem ataques de pânico. O blog voltou e eu também. Estou muito feliz em poder dividir isso com vocês.

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4 comentários

  1. Que surpresa ver post novo por aqui! Amei! E fico feliz demais com as novas oportunidades que a vida está te dando e com tudo o que você está conquistando na Holanda. Orgulho demais de você, amiga!

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    1. Barbs, você tem um papel muito importante na minha vida! Eu também tenho o MAIOR orgulho de você!!! beijos!!!

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  2. Carol, delícia ter você de volta por aqui. Que barra, menina! Eu nem sei como deve ser se sentir dessa forma, mas sei bem como são os altos e baixos emocionais dessa vida de mudança. Que bom que você conseguiu dominar a síndrome, e não deixar ela dominar você. Que bom que você se enxergou e pode se ajudar, fico muito feliz por você. Um abração apertado!

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    1. Fico muito feliz com seu comentário, Gabi. Que a vida apesar dos altos e baixos seja sempre leve! Beijão!

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